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IT-Woman

Inspiring Others, by Sandra Leonardo

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Inspiring Others, by Sandra Leonardo

Sex | 28.04.17

artigo de opinião # alienação parental = infância roubada

Sandra Leonardo

 

vamos refletir... 

 

Céus, ontem estava a ouvir as notícias e hoje venho partilhar convosco a minha revolta. Não consigo perceber como é que é possível, em pleno século XXI ainda existirem mães e pais que NÃO RESPEITAM os filhos e sem qualquer pudor ROUBAM-LHES A INFÂNCIA!

 

Sim! Essencialmente é disso que se trata, de muita muita falta de respeito pela criança, pelo ser, pela pessoa que em primeiro e em último lugar conta sempre connosco. Pouco importa se a criança foi ou não desejada, se foi ou não planeada, a partir do momento em que passa a fazer parte das nossas vidas o único compromisso é dar o nosso melhor para que a sua existência seja simplesmente feliz. E fazer feliz uma criança apenas exige de nós a atenção a que elas têm direito. 

A relação chegou ao fim, um dos cônjuges resolveu ir dar uma curva pela Avenida e não voltar. Big deal! Deixem-no ir! Boa viagem! c'est fini! Bom para quem foi, melhor para quem fica. Um pontapé no traseiro que Dói? Claaaaaaro que dói, afinal só não sente quem não é filho de boa gente, mas como tudo na vida, passa! Tem que passar e de preferência que seja a bem. Chorem, chorem muito, chorem tudo o que tiverem para chorar, aproveitem para partir aquelas louças e cerâmicas  pirosas que as tias ofereceram pelo casamento, façam uma limpeza geral na casa (afinal tanta raiva acumulada da-nos uma força herculiana e a bem dizer há que aproveitar o momento). Tudo para o lixo. Façam o luto, isolem-se por uns tempos (não muito..., só o necessário para recuperar forças, afinal a intenção não é seguir uma vida monástica..., livra...) reflitam no que vão fazer a seguir e sigam em frente, sigam com a vossa vida.

Hit Women, o quê? Não têm carta de condução, inscrevam-se numa escola e tirem a carta, comprem um boguinhas e conduzam a vossa vida sem medos, sem receios. Ninguém nunca mais vos há-de parar. 

Como? O Manuel ou a Maria nunca mais vão pôr a vista nos miúdos porque vocês, pais carrascos, vão fazer de tudo para que não se vejam! Vão fazer a cabecinha dos meninos contra o pai ou contra a mãe dependendo do caso! vão proibí-los de mencionar a palavra Pai ou Mãe lá em casa! Mau, aí parou! Sim sim é isso mesmo minhas amigas e amigos, PAROU! Então estou eu com este parlapié todo de condução da vossa vida e o que têm para dizer é que vão VINGAR-se do Manuel ou da Maria utilizando as inocentes crianças.

Só podem estar a gozar! Vão desperdiçar as vossas vidas, a vida dos vossos filhos, (e a vida do ex-cônjuge ao fim e ao cabo né...) por causa do vosso ressabiamento, do vosso ressentimento. Não sejam mesquinhas/os, não pensem pequeno. Comportem-se como adultos que são! É dessa forma cobarde que pensam resolver os VOSSOS problemas. Bolas pensei que fossem adultos, enganei-me, são só pessoas amargas, que não sabem e não querem resolver os problemas, mas arranjar outros problemas. Quais? Ainda perguntam! 

Para início de conversa utilizar um filho como arma de arremesso, como objeto de vingança, é um ato cobarde, víl, não devolve a relação falhada, não demove aquele que decidiu partir de o fazer. Bem podem espernear, esqueçam, já foram, com todo o respeito.

Vamos por a cabeça no lugar, e pensar que uma separação não é o fim do mundo, o fim do mundo é obrigar as crianças a viverem num ambiente de ressentimento, de vingança, de conflito, de falta de senso, de desamor e de egoísmo elevado ao seu exponente máximo.

A alienação parental é um síndroma que se desenvolve nas crianças vítimas das atitudes tresloucadas dos pais, impedindo-a  de crescer de forma equilibrada e em harmonia com ela própria e com os outros, levando-a ao isolamento, fomentando nela uma baixa auto-estima e complexos de culpa acompanhados de momentos de profunda tristeza, que na maior parte das vezes é silenciosa. 

O que é que leva os pais a pensarem que, o uso dos filhos, na luta inglória por vingança, vai provocar estragos na vida do ex-cônjuge ou ex-companheiro de modo a castigá-lo por ter ousado ir embora. Acordem! As únicas vítimas vão ser os vossos filhos, sejam eles crianças, jovens ou mesmo adultos. Deixem partir quem por inúmeras razões já não quer ficar. Ninguém é de ninguém (já dizia o Miguel Ângelo dos Delfins) e cuidem de quem naturalmente tem que ficar, os vossos filhos. Pensem na separação como uma oportunidade que a vida dá para se auto conhecerem, para testarem as vossas potencialidades, os vossos limites, para conhecerem pessoas novas, concluir projetos que ficaram esquecidos na gaveta ou iniciar outros que a vida vos apresentar. Não morram para a vida, arranjem uma vida, permitam-se serem felizes, assumam o comando, vivam e incluam os vossos filhos nesta viagem que pode ser fantástica. A alienação parental  só vai contribuir para que os vossos filhos se tornem pessoas inseguras, negativas, maldosas, amargas, imaturas e frustradas. É isso que desejam?

Afinal é nos pais que os filhos vão buscar estímulos e referências, as boas e as más, e crescer com um pai ou uma mãe que impede de forma egoísta e muitas vezes agressiva o convívio com o outro progenitor vai perturbar a criança, vai deixá-la confusa com sentimentos de uma culpa que ela não compreende porque ela é simplesmente um pião no meio do conflito.

As recordações da infância, marcam muito, e quando são más deixam cicatrizes irreversíveis, são um legado muito pesado de frustrações que acompanham a criança, o jovem e mais tarde o adulto.

Pais separados ou divorciados, deixem o vosso egoísmo de lado e pensem nos vossos filhos, aproveitem os momentos todos que têm com eles e esforcem-se para que os momentos com o outro progenitor seja o melhor possível. Façam-no pelo vosso bem estar, pelo bem estar dos vossos filhos, porque afinal todos queremos ser felizes. Right!

Os filhos merecem que os pais se respeitem, porque só pais que se respeitam, ainda que separados, podem proporcionar um desenvolvimento equilibrado aos filhos. Obviamente não têm que ser amigos, mas têm a obrigação e a responsabilidade de fomentarem um ambiente no mínimo cordial. Caramba somos pessoas civilizadas, nem os flintstones se comportariam de forma tão desajustada.

As famílias separadas são uma realidade em crescendo, se há forma de evitar? Provavelmente não. Por isso temos que começar AGORA a aprender a lidar com a frustração da separação e juntamente com os nossos filhos aprender a viver a duas, três ou mais velocidades.

Um particular para as mulheres..., vocês são IT-WOMEN e IT que é IT comporta-se como tal, põe os interesses dos filhos em primeiríssimo lugar, mesmo que tenhamos que chorar lágrimas de sangue (sozinhas, claro, na nossa almofada, e é só). Deixem-se de histerismos!

Quantos aos homens, sejam homenzinhos e aceitem quando a mulher diz que já não quer! Que sorte a vossa, há tanta senhora sozinha, vão fazer fazer uma delas feliz, sejam felizes também e não manipulem as crianças contra a mãe, a isso chama-se cobardia.

 

Amem a vossa vida, amem os vossos filhos, sintam-se os melhores pais do mundo, sejam os melhores pais do mundo, libertem quem partiu, libertem os vossos filhos. Não lhes roubem a infância, please!

 

...e esforcem-se por ser pais e mães a sério!